terça-feira, junho 19, 2007

João Rock - parte 2 de 2


Olha aí o Mutano e os Caetantes!





Chorão em primeiro plano e ali no cantinho Don Rodrigone, de camiseta vermelha e Luzia do lado esquerdo



***


Previously on Lost: D2 faz showzaço. Samuel Rosa me conta sua visão sobre a decadência da indústria fonográfica, seu interesses por festivais como o João Rock e pelos Mutantes. Charlie Brown finalmente vai falar com a gente.


*aparece aquela vinhetinha sombria do Lost e a história segue em frente *


“Gente, o Chorão vai falar só pra TV. Três perguntinhas pra cada veículo. Vamos rápido, tá?”, avisa a assessora. Ok. Será suficiente. Somos a segunda emissora a entrar no camarim da banda. Chorão atende nossa equipe de forma bem amistosa. Ele fala animadamente, enquanto é observado pela sua banda recém-reformulada. Todos demonstram-se simpáticos. O vocalista conta o que espera do show, da honra de participar de um festival com os Mutantes e de seu irmão. Sim, eu conto que conheci o irmão dele, que se apresentou como um cara de Santos com uma banda chamada Conteiner. Nome apropriado para um grupo da cidade portuária. Entreguei o cd para a diretora de um programa do canal (a amada amiga Mari Veltri) que disse que a voz do cara era idêntica a do Chorão. Falando com ele ao telefone, descobriu que eram mesmo irmãos. Chorão me disse que sempre apoiou o cara, mas não facilitou seu caminho e, portanto, o que conseguisse seria mérito dele próprio. Antes de sairmos, a produtora Luiza relembra Chorão do tempo em que foram vizinhos. O sorridente roqueiro papeia animado com ela enquanto a produtora da banda e assessora descabelam-se pedindo para nos retirarmos. E nosso empolgado cinegrafista mais uma vez não controla a tietagem e ameaça pedir para tirar foto... sou obrigado a puxá-lo pelo braço e carinhosamente ameaçar castrá-lo.

Ficamos ali no backstage até nos informarem da coletiva do Marcelo D2. Mais uma vez o esquema seria o da péssima e intransigente coletiva de imprensa. Novamente me recusei a participar. De olhos bem vermelhos e desatento, D2 falou baixo e pouco animado. Mal pude ouvir. Mas o show dele já tinha sido suficiente para agradar imprensa e fãs. O Charlie Brown Jr. Já está no palco. Chegamos no gargarejo lá pela terceira música. No fundo do palco, uma mini-pista de skate e dois moleques mandavam ver nas acrobacias. No palco, Chorão canta canções bem recentes. E chama D2 ao palco para dar uma força. Eles ficaram juntos durantes umas três músicas. E D2 está radiante de novo. A dupla leva a multidão ao delírio. A molecada, como Chorão insiste em chamar o público (talvez com razão), realmente mostrou que aquele era o momento mais esperado pela maioria. Logo, hits mais antigos que achávamos bacaninhas (pelo menos eu achava) quando tinha uns 16, 17 anos foram tocados. Dali fomos até um estande no estádio onde estava sendo divulgado e vendido o livro “A volta dos Mutantes” (Paula Chagas Autran, ed. Publisher). Seguindo a dica da gatíssima moça responsável pelo estande, entrevistei a mãe da autora, que fez parte do staff da banda em sua primeira formação. Ela contou detalhes e curiosidade sobre a caprichada edição. Obra imperdível para fãs da banda, como eu. Lá fiquei conhecendo quem é a Virgínia homenageando na música homônima, minha favorita. É a irmã de Rita Lee. E Rita Lee? Rita Lee foi passeaaaaaaaa-haharrrrr. Vinte anos, namorar talveeeez.

“Pessoal, é hora de falar com o pessoal do Luxúria”. “Coletiva?”, pergunto. “Então, ela vai dar coletiva, mas depois vai falar separadamente”, explica-me uma assessora. Lá fomos nós. Só que quando chega a hora das exclusivas, somos avisados de que os Mutantes estão subindo ao palco. Sinto muito, Meg. Você é linda, charmosa e faz um som bacana, mas eu não posso perder nem um pouquinho do show dos Mutantes. Avisam-nos que a banda vai fazer uma surpresa logo no começo da apresentação. Hmmmm, tá ficando ainda mais interessante. Chegamos no gargarejo mas ainda esperamos quase 15 minutos pela banda. Eles entram triunfais sob o som da “marcha” Dom Quixote. Eu esqueço que estou trabalhando e só me divirto. Um hit atrás do outro. Mas hit, em se tratando de Mutantes, é algo que ainda assim só uma minoria conhece. Percebo que, mesmo ali no gargarejo, poucos cantam. Mas quase todos se encantam (exceto aquela molecada xarope com cara de tédio apoiada em parte da grade... que morram todos!). Todo show dos Mutantes me parece histórico, mas esse teve um agravante: eles dedilharam Baby e então trazem ao palco Caetano Veloso. O nervosismo da banda e do próprio Caetano são notórios. Décadas e década depois, aquela prolífica parceria volta a acontecer. Baby, baby, a quanto tempo! Baby, babyyyyyyy... a emoção passa do palco para boa parte do público. Todos pedem “mais um”, “mais um”. Não rola. Mas eles ainda cantariam muito coisa boa.

Zélia Duncan observa aquela meia dúzia no Gargarejo cantando sem parar (eu no meio, claro!), até que fixa o olhar em alguém e sorri. Era Chorão, babando diante dos deuses. Sérgio Dias e Zélia realmente devem ter ficado bem contentes com a reverência e alegria do fã ilustre. Sérgio sola diabolicamente, mostrando porque é um dos mais respeitados guitarristas do mundo. Eles canta Virgínia.E trazem o sol de janeiro de volta. Embalam o Cantor de Mambo com o encantadoramente louco Arnaldo Baptista. Andam meio desligados (para muitos, essa era aquela música da novela!), buscam o train in Tecnicolor, cantam Minha Menina (sacanas!)e Batem Macumba. Em Top-top, voltam à versão original e gritam “Sacanagem” em vez de “Sabotagem”. Nos anos 60, a Censura vetou a terrível palavra “Sacanagem”. Os ingênuos carrascos não perceberam o teor subversivo da palavra “Sabotagem” e deixaram passar essa. Só que agora novamente é Sacanagem. E eu quero que você se top, top, top, uh!!

E, como não podia deixar de ser, entoam a Balada do Louco. Essa todos sabem de cor. E tenho que me ligar a todo momento para verificar se meu cinegrafista está gravando ou flertando mais um vez uma jovem fotógrafa ou menininhas assanhadas da platéia. A noite termina para as pessoas da sala de jantar com Panis et circenses. Chorão grava esses momentos com uma supercâmera HDV. Karolito grava com uma miniDV para o Programa Em Cena e ainda consegue aquela foto com o sr. Big Cry. Eu, humildemente registro uns trechos com a camerazinha VGA do meu celular. Intenso e rápido. Sem bis, sem Caminhante Noturno, sem Jardim Elétrico. Paciência. “Parece que não vai ter nem coletiva”. “Ahn?!?!?!?!”

É. A esforçada produção do festival tenta a todo custo garantir que a banda fale com a imprensa. Em se tratando de Mutantes, mesmo uma coletiva já está valendo. A tenebrosa produtora da banda decide liberá-los por 5 minutos. Pseudo-jornalistas bêbados e semifotógrafos são maioria ali. Perguntas imbecis e previsíveis começaam a ser feitas. Até que eu (modéstia é o caralho!) tomo a palavra e consego fazer minhas perguntas. Aliás, tenho plena convicção de que eu e apenas mais umas duas pessoas perguntamos coisas interessantes. Sérgio e Zélia respondem olhando em nossos olhos. Ser encarado pelo sr. Eterno Mutante faz tremer as pernas, mas deixa extasiado ao mesmo tempo. Eles falam da alegria de cantar com Caetano quase 40 anos depois. Falam da fantástica banda de apoio que, segundo Dias “fez nosso som finalmente soar como nos discos”. Aquela loirinha bonita no backing vocal ajuda a resgatar o agudo necessário que a esforçada e surpreendente Zélia Duncan não pode oferecer. Eu estava convicto de que mandaria tudo às favas e pediria uma foto com Sérgio ou Arnaldo. Só que a adorável produtora da bandas encerrou a coletiva e arrastou todos para a van. Não tive a menor chance. Era o fim de um festival memorável em Riacho Escuro, como Arnaldo Baptista batizou a cidade que recebeu a última apresentação da banda antes de seu triunfal retorno no Barbican Hall, em Londres, ano passado.

Fãs ardorosos ficaram para ver a boa apresentação do Luxúria. Mas já passam das 3 da manhã. E não dá mais mais pra ficar por lá. Esperamos pela van para voltar ao hotel. Demorou um bocado. Comemos crepes por um preço extorsivo e vimos colegas jornalistas flertarem com mulheres de um, digamos, design desarrojado. “E aí, minas, onde que é a balada aqui”, pergunta um dos rapazes. “Ué, nós somos a balada”. Ok. Eu quero voltar pro hotel. Voltamos. Voltei papeando com uma graciosa repórter, que voltaria para sua cidade horas depois. Estávamos podres e sujos daquela terra vermelha do chão do entorno do estádio do Comercial.

Karolito ainda conseguiu convencer uma turma a ir passear. Saíram às 4h30 da manhã, quando deitei pra dormir. Acordei às 10h e ele não esta lá. Tomamos café e passeamos ali pelo centro da cidade, onde fica o hotel. Vimos a prefeitura, praças, chafariz e, claro, o lendário bar Pinguim. Mas já estava na hora de partir. A van nos deixa na Paulista por volta das 5 da tarde. Para não ser tudo perfeito, esqueço uma mala no banco da van. Devo retirá-la ainda essa semana. Ao chegar em casa, vejo no Fantástico um trechinho da participação do Caetano com os Mutantes. É, valeu mesmo a pena ter ido ao João Rock. Vou tentar colocar a matéria do Canal até dia 29 no Youtube. Se realmente rolar, divulgo o link aqui. A matéria , como foi dito num comentário no post anterior, pode ser visto no Programa Em Cena, com a diva Dani Tesolin. That's all folks!

(ah, em breve colocarei mais umas fotos por aqui! só estou aguardando me mandarem...)

4 comentários:

Isis disse...

olha eu aqui deixando meu comentário...
a maneira que você escreve faz parecer que a gente está lá junto com você curtindo o show.
(ops,vc tava trabalhando!haha)
parabéns,cousin!
beijoo

Raquel disse...

qdo eu crescer serei q nem o Don.

M. disse...

eheheh, anda empolgado! Oba!
Quando vamos comer pizza hut de novo? ehehe

Chapolim disse...

Você não viu a parte legal, o Toledo, o Dorpho, o Du e o Makiage que deviam estar se matando na pista, sob o efeito de muito álcool e tudo mais o que eles conseguiram arrumar...

E o pingüim nem é tudo isso... só tem nome...