domingo, junho 17, 2007

João Rock - parte 1 de 2

Sábado, 16 de junho de 2007. Acordo às 5h da manhã para encontrar a minha querida produtora Luiza -Luzia- Xavier e o meu pitoresco cinegrafista Karolito Wojtyla no Canal de São Paulo, onde trabalhamos. De lá fomos até a av. Paulista, onde um micro-ônibus vai levar jornalista, fotógrafos e cogêneres até Ribeirão Preto. Estamos indo ao João Rock, tudo pago pela competente produção do evento. Depois de algum atraso, saímos às 8h30. Durante a viagem de pouco mais de 4 horas, chegamos na bela e quente (muito quente) Ribeirão Preto. No caminho para o restaurante, vimos um viaduto chamado "Presidente Sarney" e isso certamente me chateou. No restaurante conhecemos a intrépida líder das dezenas de assessoras do evento, a srta. Joelma. Recebemos as devidas coordenadas e rumamos para o hotel. O festival iria começar às 16h, tempo suficiente apenas para aquele banho rápido. No hotel, fãzocas aguardavam alguma estrela chegar (já que elas ficariam no hotel do lado). Rumamos para o estádio do time do Comercial, onde acontece o João Rock. Lá, gravaríamos uma materia para o Programa Em Cena. Gravaríamos não, gravamos.

Por quê João Rock? "Quando pensamos na criação de um festival no interior, pensamos primeiro num lugar em forma de bateria. Depois fomos pensando em quanto 'Jõoes' não existem no rock, principalmente na bateria.", me explicou Luid, um dos idealizadores da festa. Já no estádio recebemos pulseirinhas para os bastidores para camarotes exclusivos com bebida à vontade (não que jornalista goste de cerveja de graça, claro) mais a devida credencial. Na área de backstage, ficavam as tendas armadas como camarim das oito atrações do evento:

-NXZero
-Cidade Negra
-Skank
-Pitty
-Charlie Brown Jr
-Marcelo D2
-Mutantes
-Luxúria

Desde o início, não achei a lista de bandas muito promissora, mas tinha Mutantes! Isso bastava para ter certeza de que seria um festival interessante naquela cidade interiorana e quente. O nariz torcido para alguns desses nomes é chatice da nossa parte. Isso se comprovou ao vivo. No começo, os jornalistas ficaram no backstage, quase em frente aos camarins. Dali, vimos os moleques do NXZero entrarem para o delírio de menininhas extasiadas. Um tempo depois, o acesso a esse espaço ficou mais difícil. Um portão separava a área destinada à coletiva de imprensa dos camarins, e outro do público em geral. Saíamos dessa área reservada para a sala de imprensa, camorte, para o gargarejo e para o meio da galera, claro. O show do NXZero gerou gritinhos estéricos e cumpriu seu objetivo. O vocalista ainda incentivou a molecada a montar banda, ir atrás do sonho e todo esse papo edificante. Quando voltamos para entrevista pós-show com a banda, as jovens senhoritas imploravam "Ai, moço! Me dá esse seu colarzinho". Elas queriam de qualquer forma agarrar os rapazotes da banda. "Não posso. Mas eu aviso que você mandou um beijo, tá?", dizia eu maldosamente.

Quando entendi que não seria entrevista que faríamos, mas sim coletiva, desisti de falar com eles nesse esquema. Uma garota de uns 16 anos foi selecionada pela produção do evento para entregar uma doentia carta de "eu te amo" com 70 metros de comprimento. Aí entendi que isso me interessaria e Karolito pôs-se a gravar. Falamos com a fedelha e gravamos a entrega da carta. Aí consegui uma pergunta exclusiva com o vocalista "Vocês tem um lance mais roquenrrou... como lidar com essa tietagem meio estranha no mundo roqueiro?". `Político, ele disse que toda manifestação de carinho é bem-vinda e que fica feliz em tocar num festival tão diversificado. Então tá. Uma repórter bonitinha desafiava o tempo quente e sem vento de Ribeirão com seu vestidinho sumário prestes a mostrar partes indevidas do corpo.

Na seqüência veio Cidade Negra. Banda que eu achava legal quando tinha doze anos. Skank e Cidade Negra. Eu adorava as duas. Cresci, e o som da banda de Toni Garrido não me empolga há muito tempo. Eles fizeram uma apresentação OK, com seus hits e alguns covers. Até me vi cantarolando "Você sabe, o sentimento trai, o bom sentimento não trai". Mas disfarcei e ninguém percebeu. Ao fim do show, estávamos no backstage. Após a apresentação de cada banda, uma repórter bem fraquinha da rádio patrocinadora do evento fazia uma exclusiva com a pessoa. Assim que Toni Garrido respondeu o óbvio, a imprensa já o cercou para uma coletiva forçada ali mesmo, como deveria ser. Assim pude questioná-lo sobre o que pensa de toda a diversidade do festival, que abriga coisas tão absurdamente distintas. Toni saiu-se muito bem. Disse que o que mais gosta nisso tudo é a mobilidade de um ano ser atração principal e anos depois ser mero coadjuvante. Falou da diversidade e, claro, falou bem dos Mutantes. Já era noite na simpática cidade de Ribeirão Afro-descendente.

Após o intervalo entre show, foi a vez do Skank tocar seus sucessos. Esses mandam bem ao vivo. Muitos torcem o nariz para a banda de Samuel Rosa. Acho injusto. Apesar de não serem gênios, fazem um sucesso descompromissado e que funciona bem ao vivo. Principalmente quando a gente está lá numa boa no camarote tomando cerveja de graça (trabalhando, claro). Mas logo do começo do show, tivemos que correr pois resolveram antecipar a entrevista da Pitty. "Mas vai ser só coletiva de 15 minutos". E a coletiva acontecia numa tenda tosca, sem estrutura alguma e com mesas de bar. "Mas eu não posso coletiva assim. Ela é só uma pessoa. Vamos fazer 5 minutos pra TV e 10 pro restante. "Não, a produtora dela não quer". Ok. Desliguei meu microfone. Pedi para a produtora que também negou e sugeriu: "Se eu fosse você, gravaria a coletiva". Simpaticamente (mentira) disse que se ela não puder nos atender direito, eu não teria como gravar. Perdi a Pitty. Mas pude observar como ela realmente é gata. E mostraria que cresce muito no palco, quando finalmente pode se livrar das amarras de marketing que tanto a perturbam e a ajudam a fazer sucesso. A mesma coisa quase se repete na entrevista do Skank. Como só tinhamos mocinhas simpáticas de TV gravando, cabeu a este escriba barbudo a missão de pentelhar as simpáticas assessoras em busca das entrevistas exclusivas. "Eles não vão dar entrevista exclusiva pra ninguém". Ahn... pentelhei a suyper Joelma e consegui sorrateiramente ficar num local estratégico para abordar Samuel Rosa. Solícito, ele respondeu as perguntas empolgadamente. E falou dos Mutantes, claro. Nessa hora rolava o show da Pitty. Nosso cinegrafista pirou, justificadamente, pelos atributos da moça. E não é que o som dela tem uma pegada bacana ao vivo? Pesado, com letras bem construídas. Uma boa pedida pra um adolescente.

A próxima coletiva é a do Charlie Brown Jr. Aquela banda que a gente gostava em 1999, lembra? O cara louco que esmurrou o Marcelo Camelo. Pois é. Todos esperando, mas eles ainda não estavam lá. Já era hora do show e também não estavam lá. Anteciparam o ótimo Marcelo D2. A sempre eficiente Luzia perdeu, pela primeira vez, a compustura, e se esbaldou merecidamente naquele showzaço do ex-Planet-Hemp. Ele manteve o respeito, achou a tal da batida perfeita e agradou negos e baianos, gregos e troianos. Numa ótima sacada, trouxe o... (qual o nome que se dá pra um cara que faz todo tipo de instrumento com a boca?) enfim... o Fernandinho Beatbox. E mandaram muito bem os dois. Até o toque de "Seven Nation Army" Beatbox faz com boca. Foda, essa é uma boa e polida definição.

Já no finzinho, somos avisados de que Chorão e sua trupe já estão prontos pra falar. E vão dar entrevistas individuais só pra TV. Ah, como é bom ser chato! Luiza foi vizinha de Chorão e garantia que o figura era legal. Eu ainda tinha dúvidas. Entramos e ele realmente mostrou ser um cara bacana, atencioso. E isso seria confirmado durante o restanto do festival, conforme contarei depois. Isso aqui já está muito grande e desconfio que ninguém terá saco pra ler. Conto sobre a entrevista com Chorão e sobre o D2 e Luxúria depois. Ah, claro, conto também do momento em que conversei com deuses: Os mutantes.

4 comentários:

Raquel disse...

Nu! que texto grande! Mas tbm é mta informação, né?

Carlos Eduardo Novaes disse...

Concordo com a moça que postou aqui....texto enooooooorme ! Mas muito bom, cara! Porém, aquilo lá que te disse....ninguém merece tanta gente "boa" na música reunida assim....rs.... (com excessão de alguns que vc sabe quem são!)

Dani disse...

Só queria comentar que...
caso queiram conferir o resultado dessa viagem de Don Rodrigone, Karol e Luzia, na cidade do "Pinguim", é só assistir ao Programa Em Cena, pelo Canal de São Paulo - 18 TVA, o qual sou a apresentadora, hehehehe!

Ferdi disse...

Aí Don, li até fim cara. É longo mas é bom. Manda logo a segunda parte.