segunda-feira, março 26, 2007

memórias daqueles longos anos de um jovem perdedor

Hoje eu vou jogar futebol. E não estou mais preocupado com inaptidão para esse esporte. Durante anos tive de me contentar em ser feliz apenas jogando bola na rua (onde eramos todos iguais) já que na escola, os bonzões definiam quem fazia parte do time. Era degradante mas, por fim, resignante. Ao menos sempre tinha uns dois panacas a serem escolhidos depois que eu era. Triste foi o dia em que escolheram até o gordinho mais tosco da sala antes de mim. Aí mexeram com meus brios. Fui lá e mostrei do que era capaz: um gol sem querer em cima do goleiro zarolho e um futebol esplendorosamente ruim. Isso se seguiu durante toda minha tenra juventude. Mas ser um loser na infância tem grandes vantagens na vida adulta. A gente precisa aprender a ter qualidades, a se esforçar pra ser bom... a impressionar garotas por outras coisas (eu não conseguiria impressioná-las nos meus primeiros 18 anos de vida, acho, mas até aí não vem ao caso).

No colegial, ainda era o fedelho, o motivo de chacotas: aquele moleque magrelo, mais novo da turma, alto, desengonçado e tímido. Os “legais” eram caras até realmente bacanas... mas sozinhos... quando se juntavam, infernizavam este pobre otário para mostrarem como eram divertidos. Até que um dia consegui certo respeito. Fomos participar do campeonato intercolegial. Só que esses sujeitos eram jogadores horríveis e nosso time mal completava cinco pessoas. Eis que eu era indiscutivelmente titular... e visto com toda aquela desconfiança. Só que para calar a boca de todos, faço um gol e cavo um pênalti. Pego a bola e digo que vou bater. Tomo distância e encho o pé. O goleiro defende e nosso time perde de 12 a 1. Com um gol meu. No outro dia fui parabenizado por todos os colegas que souberam da façanha futebolística do loser da sala. Talvez depois daquele dia tenham passado a minimamente me respeitar. Mas é provável que não. Só que desde então consegui pequenas vitórias... tardias, mas ainda assim vitórias! Vitórias morais, talvez. Como aquela vez em que consegui ficar com minha primeira paixão de escola (eu tinha oito anos) quase quinze anos depois. Isso foi bem legal. E hoje eu vou jogar bola. E mesmo correndo o risco de ser um desastre, sei que sou um cara bem bacana. Ou talvez nem tanto assim. Mas vou marcar um gol com minha chuteira nova. E vamos beber cerveja depois. Isso também é bem legal.

8 comentários:

Raquel disse...

só pra dar um apoio moral estou aqui, pra dizer que também sou perna, braço, barriga, tudo de pau!!! hahahaha

Ferdi disse...

Também nunca impressionei pelo bom futebol... Nunca fui o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro a ser escolhido... Mas aí na semana passado me escolheram. Pra chutar uma bola do meio de campo no Palestra Itália, no intervalo de Palmeiras e Marília. Se acertasse, ganhava uma bolsa da Adidas com calção oficial do Verdão e boné. Fiquei todo animado, treinei uns chutes, viajei do Rio para São Paulo só para ir ao jogo. Desci pro vestiáro antes do fim do primeiro tempo (não vi o gol do Edmundo por causa disso) e, na hora H... Chutei pra fora. Na frente de 15 mil torcedores. É mole? A vida é assim. Outro dia eu volto pra balançar as redes.

Dani disse...

hahahahaha...

melhor que ser um péssimo jogador, é reconhecer que se é um péssimo jogador, sacou?

e o os últimos serão os primeiros...

ainda não sei em que, mas serão....rsrsrs

Raquel disse...

é um mal de família, pin.

mas no fifa...vc é craque!
=D

M. disse...

Menino, que óteemooo! Minha biografia infanto-juvenil é bem parecida. Aulas de Educação Física eram torturas e destruiram minha vida social na escola. Era a última a ser escolhida no vôlei, no basquete, na queimada...

Ana disse...

Haha. Solidária sou!

Marianny disse...

Rodras!!
Passei por isso na adolescência tb! Talvez seja esse o motivo de ter me afastado do esporte ou ter soltado mais o bichinho do mato dentro de mim.
Até que um dia, Euzinha, que sobrou para goleira no handebol, ia em cima com tudo. Nenhuma bola entrava no gol! Batata: Mariana goleira da equipe oficial. Nem tudo é louro... no dia do campeonato: algo puxava todas as bolas pro gol! Ô dó!
Mas é isso aí! O importante é saber perder, ser mais Você e encontrar suas qualidades.
Grande beijo

Anônimo disse...

Caraca! Os pernas de pau das aulas de educação física...rs, somos uma grande legião. Ótimo texto!!!
Ass.: Dill