terça-feira, março 20, 2007

O amor nos tempos de Garcia Márquez

Era o último dia do verão e ela lia o mesmo livro que o rapaz. Mais um do Garcia Márquez. Bem ali ao seu lado, num vagão de metrô. Dois solitários apaixonados pelo mesmo escritor. Ela podia estar no vagão ao lado lendo Saramago. Ele poderia não ter ido ao cinema. Eles poderiam estar a metros de distância sem perceber que liam “O amor nos tempos do cólera”. Ela já quase acabando, ele ainda no início. Ela com um exemplar novinho, ele com um adquirido em sebo. Ele tomou coragem e foi falar com ela. Ele precisava falar com ela. A literatura os uniu. A rotina iria desgastá-los. Seinfeld iria revigorá-los. Será que já percebiam a obrigatoriedade literária que a história deles possuia? Deveriam ter um final piegas e até óbvio como ele e todos nós queremos na vida real? Ou de forma criativa e corajosa, algum fato tornaria aquela história impossível?

Todo bom leitor sabe que nenhum amor pode ser assim tão fácil. Com isso em mente, eles decidem complicar. Ela está saindo de um relacionamento a pouco tempo. Ele não está pronto para algo sério. Melhor a gente se conhecer melhor primeiro. A gente se dá melhor como amigo. Nenhum dos dois se convenceram. Então lembraram de Gabo.

Ele lembrou dos lindos olhos amendoados dela... e “era inevitável, o cheiro das amendôas amargas lhe lembrava sempre o destino dos amores contrariados”. Mas o que há de contrário nesse amor?. “Gosto de você não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo”. Caramba, Gabo! “A essa estirpe condenada a cem anos de solidão, não será dada uma segunda chance na Terra”. “Putz, mas cem anos é foda, hein?”. Enquanto isso, assistiram mais Seinfeld e decidiram não racionalizar nada (por enquanto).

6 comentários:

Raquel disse...

eu sempre disse q esse livro traria momentos bons qdo vc começasse a ler.

viu? viu?
a pin sabe das coisas.

Dani disse...

Assim que terminar de ler esse livro, me empresta PELAMORDEUS!! hahaha...
Que bom que estarei no camarote para saber o final desse livro que vc iniciou ontem, hehehe...
Bom, dizer que a cada dia me torno mais fã do seu blog é redundante, né?! Mas vc esta se superando sempre. Parabéns!

Anônimo disse...

Como te disse, nunca consegui ler até o fim. Assim como alguns do Saramago que eu insisto em tentar ler.

Anônimo disse...

sou eu, Raquel =D

Ferdi disse...

Gabo tem hora certa pra ler, assim como Saramago. Eu tentei o patrício muito cedo, achei um porre. Depois de uns anos, fiquei apaixonado. Algum de vocês já tentou o António Lobo Antunes? É da terrinha também, e é fantástico...

Ferdi disse...

Tente "Os Cus de Judas", que foi o primeiro que li do Lobo Antunes, ou "Memória de Elefante", que é o primeiro livro dele, publicado em 1979.